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Audrey Tautou ficou conhecida no Brasil por seu desempenho em O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, em 2001, e apesar de ser uma atriz bastante versátil, não tem como negar que a comédia romântica é o gênero perfeito para ela. O diretor Pierre Salvadori comprovou isso ao dirigir Audrey em Amar não tem preço, em 2006, e no novo Uma doce mentira.

Uma doce mentira (De Vrais Mensonges – 2010) mostra a vida da atrapalhada Émilie Dandrieux, sócia de um salão de beleza, cuja mãe, Maddy (Nathalie Baye), está em depressão há quatro anos, desde que o marido a deixou. Ao receber uma carta anônima de um admirador secreto, tem a ideia de reescrevê-la, mas endereçando-a a Maddy.

Pensando estar fazendo uma boa ação, ela termina deixando sua mãe ansiosa para saber a identidade de seu falso admirador secreto, na verdade Jean (Sami Bouajila), o faz tudo do salão, que nutre um amor platônico por Émilie, a quem a própria convence a perpetuar a farsa.

O torto triângulo amoroso entre Maddy, Jean e Émilie gera situações divertidíssimas, ampliadas pela atendente meio lerda, Paulette (Judith Chemla), e a sócia certinha de Émilie, Sílvia (Stephanie Lagarde), que não entende o que está acontecendo e procura defender, com unhas e dentes, os interesses do salão.

Algo interessante de notar é a carga emotiva dos protagonistas desse filme. Diferente da maioria das comédias, nas quais o comportamento dos personagens é definido previamente e eles agem do início ao fim da mesma forma, aqui quem é bonzinho torna-se cínico e vingativo, quem é pacífico torna-se violento e quem é cabeça-de-vento torna-se manipulador, respondendo às situações em que são obrigados a encarar.
Uma comédia de erros muito bem executada, Uma doce mentira é uma boa surpresa em tempos de tantos roteiros adaptados e comédias românticas politicamente corretas.

Por Milena Azevedo em http://goo.gl/tfS06