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L’Apollonide” abre ao espectador as portas de um mítico casarão fechado, “teatro de todos os fantasmas”, onde mora uma dúzia de prostitutas, entre elas “a mulher que sempre ri”, ferida por um cliente perverso que deixou em seu rosto duas terríveis cicatrizes que prolongam seus lábios.

Cena do filme "L'Apollonide", que concorreu à Palma de Ouro em Cannes, esse ano

“Amo as putas”, repete um dos clientes do bordel neste filme que leva o público, em uma viagem imaginária, a este mundo decadente dos bordéis, pintado por Toulouse-Lautrec, entre outros, e do qual muitos contos de Guy de Maupassant tratam. “Em geral, os pintores e escritores desta época vão aos bordéis e dão o ponto de vista masculino sobre as prostitutas, mas o que me interessava era o olhar das mulheres sobre os homens que as visitavam. Quis mostrar a decadência, o inelutável fim desse mundo”, explicou o diretor.

O filme oscila entre o documentário e a ficção, entre a crônica e o romance, entre a reconstrução estética desse mundo decadente e sua crítica implícita, entre o mundo fechado como uma prisão e o local de prazer dos burgueses. O cineasta diz ter se inspirado na pintura e na literatura francesas do século XIX, assim como em arquivos policiais e documentos “científicos”, especialmente um estudo sobre a suposta reduzida capacidade cerebral de prostitutas e criminosos.

O cineasta Bertrand Bonello entre as atrizes que interpretam as prostitutas de "L'Apollonide"

Bonello, que também é músico e compositor, tem uma reputação incendiária na França por causa de seus filmes anteriores, entre eles, “O pornógrafo”, com Jean-Pierre Leaud, e “Tirésias”, sobre um transexual brasileiro que reinterpreta o mito do adivinho grego cego que foi, sucessivamente, homem e mulher.

Veja o trailer do filme:

Fonte: G1